sábado, 23 de janeiro de 2010

Hoje entendo o silencio sufocante de
quem tem ainda muito que dizer mas,
que sabe que não é o momento
certo para falar.
Que se perde quem se ama num

segundo e que nunca mais se
recupera dessa perda.
Que depois de se perder o porto de
abrigo, encontrar um farol é ainda
mais dificil porque é preciso o
dobro da coragem;
porque amar requer coragem e
sacrifio e nobreza de alma e para
quem não sabe amar é tarefa titanica!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Você foi a mentira sincera...

brincadeira mais séria que me aconteceu.








Queria tanto que estivesse aqui.

Mas ai me pergunto:

Estar aqui pra que?

Para contar aquelas mentiras sinceras, brincadeiras não sérias?







Hoje quando penso com saudades é porque a saudades apenas devora quando se esta longe, por perto você me enerva.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Extremos da Paixão

Não, meu bem, não adianta bancar o distante
lá vem o amor nos dilacerar de novo...


Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a)- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.


Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.


No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe,berrando de pavor para o mundo insano,e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó.O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya,ilusão,passatempo.E exigimos o terno do perecível,loucos.


Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolosem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.


Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.


Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.


( Caio Fernando Abreu )

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Reticências

Quanta mudança alcança o nosso ser.
Posso ser assim, daqui a pouco não.
Se agregar não é segregar.
Se agora for, foi-se a hora.
Dispensar não é não pensar.
Se saciou, foi-se embora.
Quanta mudança, daqui a pouco...
Se lembrar não é celebrar.
Dura-lhe a dor, quando aflora.
Esquecer não é perdoar.
Se consagrou, sangra agora.
Tempo de dar colo, tempo de decolar.
O que há é o que é e o que será, nascerá.
Nasss... será?
Reciclar a palavra, o telhado e o porão.
Reinventar tantas outras notas musicais.
Escrever um pretexto, um prefácio, um refrão.
Ser essência muito mais.
A porta aberta, o porto, a casa, o caos, o cais.
Se lembrar de celebrar muito mais.
A poesia prevalece, a essência, a paz, a ciência.
Não acomodar com o que incomoda.
Vou, vou engarrafar essa dor, vou engarrafar a saudade, vou embreagar a tristeza. Bendizendo ela vira beleza.
Gentileza gera gentileza.


sábado, 16 de janeiro de 2010

Vou ali ser feliz e já volto


ontem chorei. por tudo que fomos. por tudo o que não conseguimos ser. por tudo que se perdeu. por termos nos perdido. pelo que queríamos que fosse e não foi. pela renúncia. por valores não dados. por erros cometidos. acertos não comemorados. palavras dissipadas. versos brancos. chorei pela guerra cotidiana. pelas tentativas de sobrevivência. pelos apelos de paz não atendidos. pelo amor derramado. pelo amor ofendido e aprisionado. pelo amor perdido. pelo amor. pelo respeito empoeirado em cima da estante. pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. pelos sonhos desafinados. estremecidos. adiados. pela culpa. toda a culpa. minha. sua. nossa culpa. por tudo que foi. e foi. e voou. e não volta mais pois que hoje é já outro dia. chorei. eu chorei. apronto agora os meus pés na estrada. ponho-me a caminhar sob sol e vento. eles secam as lágrimas. vou ali ser feliz e já volto.


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

...E esse vazio que ninguém dá jeito?

Você guarda no bolso, olha o céu, suspira, vai a um cinema, essas coisas. E tudo, e tudo, e tudo."
(Caio Fernando Abreu)
Ainda existem coisas que me ferem,
machucam e arrancam pedaços de ilusão com
uma força brutal, mas eu estou aqui de pé,
não dá pra desistir.
Não dá pra desistir das amizades que me fazem sorrir,
não dá pra desistir de estudar,
não dá pra desistir do amor.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"(...)Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta,
que hoje, eu me gosto muito mais porque me entendo muito mais também...
E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora..
É se respeitar na sua força e fé, é se olhar bem fundo até o dedão do pé...
Eu apenas queria que você soubesse que essa criança brinca nesta roda e
não teme o corte das novas feridas pois tem a saúde que aprendeu com a vida..."
( Gonzaguinha )

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

" Não quero ser triste
Como o poeta que envelhece
Lendo Maiakóvski
Na loja de conveniência
Não quero ser alegre
Como o cão que sai a passear
Com o seu dono alegre
Sob o sol de domingo... "

( Zeca baleiro- Minha Casa )


Imagino mil coisas, escrevo mil cartas endereçadas a ninguém e ouço mil musicas que me lembram alguém.
''É uma fase e vai passar''
{ ainda assim, hj me sinto feliz }

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Já foi- JQuest

Eu sempre quis fazer você feliz
Às vezes me deixava pra outra outra
Eu sempre quis falar o que eu sentia
Eu sempre te deixei bem à vontade
Mas tua falta de vontade
Me desmotivou
Quer saber?

Eu quero alguém pra dividir
Gostar de quem gosta de mim
Eu sempre acreditei muito em nós dois
Eu sempre quis fazer a minha parte

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fica com a cama.
Nela estão todos os meus perfumes e também os meus melhores sorrisos
( sob o travesseiro do lado direito talvez ainda ao som daquela gargalhada ).
Fica com os lençois das nossas madrugadas, e todos nossos poemas.
O cobertor azul eu deixo pra vc...
As fotos também eu cedo, não as quero.
Não refletem os medos que tive, são apenas momentos ( congelados feitos os projetos que adiamos )
As chaves do apartamento deixo sob o tapete.
O amor e os sonhos eu levo junto com meu olhar encantado.
A dor está na caixa pesada que ficou no banheiro, não se preocupe, é minha
prometo vir buscar no feriado ( eu levaria hj, se pudesse, as no carro não cabia o mundo inteiro ).




Enfim...


( Longo suspiro )



sábado, 2 de janeiro de 2010





Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:e,
se não ousarmos fazê-la,teremos ficado,
para sempre,à margem de nós mesmos

Fernando Pessoa
[ ao som: Folhetim- Zizi Possi ]

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010



Pronto!
Já tirei os quadros da parede,
joguei fora o resto de champanhe das taças,
pela janela atirei as falsas promessas
e cada marca sua que por ventura
ainda encontrei em mim!
Pendurei as estrelas no céu novamente,
retoquei a maquiagem,
escondi os cd’s, mas não consigo me
livrar das nossas músicas!
Peguei minha bolsa e do fundo
dela um meio sorriso e muitos suspiros,
além do papel com meu novo endereço: região dos versos atemporais, na terra onde mana inspiração...
A Outra
Los Hermanos
Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser a última a saber de ti
Se todo mundo sabe quem te faz chegar mais tarde
Eu já cansei de imaginar você com ela
Diz pra mim se vale a pena, amor
A gente ria tanto desses nossos desencontros
Mas você passou do ponto e agora eu já não sei mais...
Eu quero paz
Quero dançar com outro par pra variar, amor
Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se desta vez ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor... sangrar